Punição civil sobre o consumidor

No meu entender, da maneira que é aplicada no Brasil, a política dos juros constitui uma “punição civil” sentenciada pelos bancos sobre os vulneráveis consumidores de serviços bancários, principalmente nos casos de inadimplências, quando os bancos deitam e rolam, abusando do direito de abusar – e, como a maioria dos clientes bancários pelo menos uma vez por mês adentra no limite do cheque especial, presume-se que a festa dos juros abusivos continuará por muitos e muitos anos, até que chegue a níveis dignos e humanos.

Quando um cliente bancário usa o limite do cheque especial, o banco lhe cobra uma determinada taxa de juro, porém, se este limite ficar em aberto por trinta dias, a partir do trigésimo primeiro dia, o banco cobra outra taxa de juro, maior ainda, não divulgada e fora dos padrões de mercado, isto é, taxa sobre taxa, pois considera que o cliente ficou inadimplente e geralmente esta taxa duplica, ou triplica e até quadruplica, se forem consideradas as multas e encargos, ao livre arbítrio, entre outras sanções determinadas por esse banco.

E como todas as regras dos sistemas da atual conjuntura financeira está voltada para favorecer de maneira uníssona e unilateral, apenas os bancos, se aproveitando da vulnerabilidade do consumidor de maneira cabal e o conduzindo de modo certeiro a uma inevitável e rotineira inadimplência, mesmo que por um período de dois, três ou cinco dias no mês, posso afirmar que neste pequeno espaço de tempo, os bancos cobram o que querem, em forma de sanções punitivas e não divulgam suas proezas ao público consumidor, como fazem, por exemplo, ao gabar-se de baixar menos de 1% da alta e abusiva taxa de juro que já cobram.

Consumidores, não se iludam querendo oferecer troféus ao Copom, ao Bacen e aos bancos comerciais por estes baixarem meio ponto percentual na taxa de juro quando bem querem e entendem fazê-lo, pois, se estão baixando é porque está muito alto e se possuíssem responsabilidades sociais, bem querer, ou o mínimo de respeito ao povo, nem teriam deixado os juros chegarem neste patamar, uma vez que, se os bancos comerciais viessem cobrando 12% ao ano, isto é, 1% ao mês, baixar 0,5% da taxa de juro seria um sinal de que estariam tomando vergonha na cara, no entanto, como cobram 12%, 15%, ou 18% ao mês, baixar 0,5% desta taxa, não passa de balela, enganação e demagogia pura, show pirotécnico para agitar a imprensa com milionárias campanhas de marketing e iludir o povo brasileiro que ao longo dos anos se acostumou a ser torturado por este sistema bancário tirânico, ficando amarrado em cavalo de pau e no tronco financeiro, tomando chicotadas e choque econômico de 220 volts nas unhas e nádegas e, por esta razão, quando toma somente um tapa financeiro na cara, o considera brando, se contenta, acha graça e fica a sorrir, sem falar que, ainda há quem entenda ser este um motivo para comemoração, como quem não possui mais forças para reagir, preferindo admitir que o sofrimento financeiro já faz parte de sua vida.

Para realmente beneficiar o cidadão, o juro bancário ao consumidor final deveria baixar 10% ao mês de uma só vez em todas as operações financeiras, para acabar com a farra do “spread bancário” das mil e uma noites praticados pelos bancos brasileiros, a partir daí sim, poderíamos classificar como justos os lucros obtidos por estes bancos, no que se refere a juros, pois, somente assim talvez tivéssemos uma taxa de juro próxima da praticada nos países de primeiro mundo, já que, do jeito que aí está não é admissível sob qualquer pretexto e os consumidores devem reagir e se manifestar através de seus agentes financeiros, para dar um basta nesta patifaria que somente a uma minoria beneficia, arrancando vergonhosamente através da cobrança criminosa de juros, parte dos salários dos trabalhadores brasileiros, uma vez que, com juro alto o cidadão consumidor nada ganha.

No meu entendimento, os juros deveriam ser exterminados da face da terra, empresa que quiser ganhar mais dinheiro deveria trabalhar mais para produzir mais e as operações que visam e dependem do juro, deveriam ser anuladas e a palavra “juro” deveria ser deletada dos sistemas financeiros e eliminada do dicionário da língua portuguesa e as pessoas deveriam se envergonhar de pronunciá-la, alertando seus filhos desde pequenos, de que esta seria obra do demônio, ou de algum inventor sinistro que a essas alturas deve residir no inferno.

Esta palavra “juro” deveria ser considerada obscena, um palavrão indecente, pois a sua prática sobre as pessoas não passa de imoral, descabida, agressiva e injusta, uma vez que nesta técnica não existe reciprocidade, já que enquanto concede vantagem e ganho para a parte mais forte na relação de consumo, ela aplica uma “punição civil” na parte mais fraca e vulnerável desta relação e no meu entender, nem o Sistema Financeiro Nacional, nem o Banco Central do Brasil seriam tribunais diplomados para este fim e banqueiros, diretores e gerentes de bancos, não seriam juízes, nem possuidores de competência para aplicar punições em massa nos cidadãos consumidores, “condenando-os” apenas pelo “crime” de ser a parte mais fraca e vulnerável nas relações de consumo com os bancos e mesmo que fossem, deveriam validar reciprocidade ampla, pois somos parte de uma sociedade pobre, com analfabetos e desdentados e nos sentimos como verdadeiros idiotas, como trouxas, otários e manés, – mas somos geradores de riquezas, somos quem paga a conta, somos consumidores, somos a maioria, “somos cidadãos”.

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3 respostas para Punição civil sobre o consumidor

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